“SEM BERÇO” – Dia 21,nova exposição do artista EVANDRO PRADO é inaugurada em São Paulo

ARTE, BISCOITO FINO, FROM SP Leandro Marques 05 junho 2017

Por Leandro Marques / Fotos telas: Neoarte

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O Artista Plástico Evandro Prado inaugura dia 21 de junho, às 19h, na Galeria Jairo Goldenberg, a exposição “Sem berço” – a primeira individual do artista sul mato-grossense em São Paulo.

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Há nove anos, o admirável talento das artes plásticas, Evandro Prado, apostou em São Paulo para viver. Anos de desafios, indagações, aprendizados, trocas e estudos o transformaram como pessoa e artista. Hoje ele continua fiel às suas ideias provocadoras, usando sua arte para questionar e gerar novos pontos de vista.

“Esse tempo mudou muito minha cabeça sobre o que é arte. Por que produzir arte? Como apresentar, pra quem apresentar? Todas essas questões que eu tinha, foram transformadas com experiências que eu tive, pessoas que conheci, cursos que fiz, exposições que participei, uma transformação muito grande”, conta.

Em sua produção atual, os olhos do artista estão voltados às questões políticas, cada vez mais a fundo, na raiz da situação. “Andei  estudando sobre a formação do Brasil, a vinda da Família Real, colonização, escravidão e cheguei a uma ideia que o Brasil é um país sem berço. Com o processo exploratório que durou 300 e tantos anos e de escravidão, que durou mais de 400 anos, essa exposição reflete um pouco sobre isso”.

Marcada pra quarta-feira, dia 21 de Junho, “Sem Berço”  marca a estreia de Evandro em uma exposição individual na capital paulistana, um marco em sua carreira. A exposição apresentará pinturas a óleo, objetos e uma instalação na fachada da galeria em Higienópolis. Taí uma oportunidade para prestigiar uma arte genuína e ver o crescimento artístico deste cara que admiro e torço demais. Estarei lá com certeza!

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A EXPOSIÇÃO

Os trabalhos dessa exposição suscitam reflexões sobre a formação da sociedade brasileira. A discussão conceitual busca expor as contradições de um país continental, rico e belo, mas colonizado, explorado, devastado pela cobiça. Um país de extremos, desigual, formado por paradoxos. Abençoado pela Igreja Católica e dirigido por uma oligarquia pretensiosa que fez riqueza a partir do sangue dos nativos e do trabalho de homens negros escravizados. O artista é provocativo e suas pinturas são inquietas. Proporciona êxtase e mal-estar ao colocar em cheque a história “oficial” e seu culto aos “heróis” da nação.

Na fachada da galeria,um anjo alado com uma auréola azul de neón, segura em suas mãos um machado vermelho, também de neón. Neste jogo de contradições, Prado utiliza da figura do anjo e do machado para anunciar a conquista do “novo mundo” e a devastação que se seguirá. É o arauto que proclama o descobrimento do Brasil e dá boas vindas a exposição.

Entre as pinturas, destaca-se o busto de D. Pedro I, semelhante a centenas de outros bustos de chefes políticos que estão espalhados por todas as praças do país, expostos as intempéries e servindo de banheiro para os pombos. Também temos uma pintura do proclamador da República, Marechal Deodoro, o qual está de cabeça para baixo,sendo carregado por corvos. Duque de Caxias, comandante militar durante a Guerra contra o Paraguai, também é colocado em um ambiente frágil, sua figura está no alto de um monumento de madeira com uma estrutura pífia, cenográfica. O conceito do artista é expor a fragilidade que permeia estas figuras do poder. Os trabalhos fazem referência a construção de uma memória nacional que privilegia o culto aos “grandes homens”, líderes militares ou chefes políticos.

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Evandro Prado não deixou de lançar sua crítica a atuação da Igreja Católica, que durante o período colonial apoiou e colaborou com a escravidão dos povos negros. A tela com os anjos barrocos carregando crânios deixa bem clara esta relação. A pintura que apresenta a imagem de uma santa coberta por um saco de lixo preto e outra que traz a imagem Jesus “sem cabeça”, buscam evidenciar que a Igreja fingia não enxergar a cruel realidade que ela legitimava.


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SOBRE O ARTISTA

Com 31 anos o artista coleciona exposições, prêmios e polêmicas.Em 2006, durante a exposição “Habemus Cocam”, foi processado cível e criminalmente pela Igreja Católica, quando contrapôs ícones religiosos com a Coca-Cola. Participou de importantes salões de arte, como o Paranaense, do Centro-Oeste, de Goiás e de cidades do interior de São Paulo. Foi selecionado no programa “Rumos Itaú Cultural” e na exposição “Abre Alas” da Gentil Carioca. Atualmente vive e trabalha em São Paulo atuando também com o Grupo Aluga-se desde 2010.

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Evandro Prado

 

Serviço:

Abertura: 21 de junho, as 19h

Exposição: de 22 de junho a 30 de julho

Endereço: Rua Tinhorão, 69 – Higienópolis

Horários: De segunda a sexta das 10 as 18h e sábados das 11 as 14h

 

Contato:

[email protected]

www.evandroprado.com.br

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