Nudes passando na timeline – O inspirador trabalho do Fotógrafo ANDRÉ PATRONI

FOTOGRAFIA Leandro Marques 31 maio 2017

Por Leandro Marques / Fotos: André Patroni

>

_André Patroni, se sua vida fosse um filme, qual seria a sinopse?

Primeiramente, Fora Temer.

Sou péssimo pra resumos. Prolixo demais. Difícil resumir uma vida em um filme, mais impossível ainda quando é a sua própria, que dirá comprimi-la numa sinopse.>
>

A Fotografia é algo antigo na vida de André Patroni, é lá pros tempos dos primeiros celulares com câmera. Ele conta que vivia pedindo emprestado para poder fazer seus registros, brincar com as imagens e assim, ser fisgado pelo universo da Fotografia.

Desse tempo pra cá, ele não parou de exercitar seu olhar, refinar sua técnica, se aprofundar… Hoje, o cara se revela como um dos mais promissores profissionais da área, no nosso Estado amado.

Ele é formado em Jornalismo, é Documentarista, videomaker, um cara sempre presente nos rolês artísticos e culturais, tem um portfólio incrível que merece ser apreciado. Aqui no Blog, tem apenas a little taste do talento de Patroni. Para ver seu trabalho completo clique aqui e cola lá no site dele.

Nessa entrevista conversamos sobre seu projeto atual, o Sunset Nude, onde a nudez é retratada com sutileza e sensualidade, explorando corpos femininos e masculinos em liberdade plena. Me encantei com as fotos, são incríveis, dá até vontade de se despir…  🙂

>
O nu é lindo, o nu é natural, o nu é vida, vamos ser nus!!! Tire a roupa e boa leitura.

>

>

Alice Hellmann e Priscila Scudeler

>
>

_Seu olhar passeia por quais ambientes, o que te chama atenção, te inspira?

Os ensaios que mais tenho gostado de produzir são em ambientes externos. Tanto faz se urbanos ou no meio do mato, os projetos que me levam para a rua são os que mais me divertem. Tenho focado em um projeto de nu ao pôr do Sol, e sou grato por ele ter me levado a tantos lugares incríveis. O melhor da fotografia é que ela te leva. Se você trabalha com cenários, você sempre se relacionará com a beleza do mundo.

>

_Sobre nudez, como lida com ela? No pessoal e profissionalmente.

Pessoalmente sou bastante tímido em relação à nudez, talvez por isso consiga dialogar com as pessoas que fotografo, já que entendo sua dificuldade em despir-se. Como faço fotos com pessoas que não estão acostumadas com essa situação, a nossa troca ali na hora do ensaio é fundamental pra que elas se sintam em segurança e se libertem, se descubram. Nos projetos que desenvolvo atualmente busco retratar um nu sem erotismo, mais natural, ainda que no meio da cidade. Esse período tem revolucionado a minha visão em muitos aspectos.

>

Paulinha Magalhães maravilinda

>
>


>

>_Como rolou a primeira sessão de fotos de nu, foi difícil convencer seu/sua [email protected] modelo?

Fazia tempo que eu queria produzir algo na área, e vinha acumulando referências. No entanto, o primeiro ensaio nu foi há pouco mais de um ano, com uma amiga. A sessão surgiu depois que fiz umas fotos em uma festa e ela não gostou da que aparecia. Eu falei “então vamos fazer umas boas” e ela aceitou. Quando pedi para me enviar fotos que ela gostaria que a gente tirasse, vieram alguns nus. Percebendo que poderia querer, eu sugeri no momento do ensaio que se ela estivesse a fim aquela era a hora. E aí fluiu.

>

_E hoje como é? Me fale mais sobre seu projeto no geral e se as pessoas estão mais abertas à essa experiência?

Aquele ensaio deu sequência a uma série de outros principalmente com as amigas e amigos da minha primeira fotografada, que gostaram do resultado. Fiz alguns experimentais, até que criei um projeto pra poder seguir um tema, o Sunset Nude. Com a veiculação de matérias a respeito do trabalho e à medida em que fui postando e evoluindo, mais gente me conhece e tem me procurado pra fazer ensaios particulares ou para integrar meu portfólio.

>

>

Lidiane

Torino

Bibiana

>

>

“A opressão sexual é uma das maiores formas de violência da humanidade. Infelizmente o corpo passou a ser visto apenas pelo viés do erotismo, e a naturalidade do nu foi coberta por uma névoa de preconceitos e tabus. Este cerceamento que a sociedade cria na nossa relação com a nudez traz uma série de problemas e traumas, que afetam nossa noção de mundo e nos acorrenta a significados que simplesmente não fazem o menor sentido.”

>

_Existem muitos mitos sobre os bastidores de nus artísticos, principalmente os femininos. Muitos homens “viajam” sobre como seriam os bastidores da revista Playboy, por exemplo. No seu set de fotografia, como é o processo de desapego das roupas dos seus modelos?

Acredito que tudo está na atitude do profissional de fotografia. O que me entusiasma na sessão de fotos não é a nudez em si, mas a entrega da pessoa que estou retratando, é compartilhar com ela aquela experiência que, na maioria das vezes, será única, marcante e transformadora. Proporcionar esta redescoberta é poderosíssimo, exige muita responsabilidade e paciência com o tempo das pessoas. Outro fator importante é que sempre trabalho em equipe, e uma parceira nestes ensaios de nu tem sido minha prima Mariana, que me acompanha e está ali para que a pessoa sinta-se mais confortável. É preciso muito respeito e distanciamento profissional, porque é uma situação de muita vulnerabilidade da pessoa fotografada, é necessário retribuir esta confiança.

 

>

May

May

Gabi

>
O FOTÓGRAFO

Comentários