Notas sobre ela – KAKÔ FERRAZ, o talento de uma estilista a frente de seu tempo

COOL, FROM SP Leandro Marques 26 maio 2017

Por Leandro Marques

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Fina, elegante e sincera, Kakô Ferraz tem olhar marcante e ideias visionárias. Bom gosto apurado – exercitado desde a infância – ela tem arte no DNA. Na moda ela é autenticidade, está dando passos importantes e revela projetos brilhantes em sua carreira.

Kakô cresceu num ambiente propício para ela ser quem é hoje. A moda foi introduzida em sua vida na loja de sapatos da avó, na infância, quando ela teve a oportunidade de visitar feiras de calçados, aprender sobre coleções, temporadas, tendências, um universo cheio de assuntos e novidades que atiçavam sua curiosidade.

A arte ela tem de berço, sua mãe é a maravilhosa Zilá Soares, talentosíssima artista plástica, de belezas interior e exterior notáveis, um “mulherão da porra”, como diz o Meme. Com ela, Kakô teve “aulas particulares” de história da arte, conheceu os grandes artistas, pintores; visitaram museus pelo mundo e recheou de coisa boa seu repertório cultural e artístico.

Esta entrevista aconteceu em uma manhã de dia bonito, em um dos restaurantes mais buxixados de São Paulo, o Bossa – lugar de arquitetura, decoração e conceito muito atraentes. Ao lado, colado mesmo, fica a Ratier, tanto o restaurante e a loja tem a assinatura de Renato Ratier, com quem Kakô tem um “match” profissional de anos, começado lá atrás, 20 anos, na Sub Culture, em Campo Grande.

Talentosa e com um repertório criativo vasto, a Estilista tem novos projetos profissionais, quer abraçar novas experiências e uma mudança de vida… Confira as notas sobre ela, Kakô  Ferraz, uma super inspiração para quem ama Moda.

 


Notas sobre KAKÔ

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No colégio ela já gostava de desenhar, seu talento como estilista dava seus primeiros sinais…

Kakô estudava no Dom Bosco e já esboçava seus primeiros croquis, gostava de desenhar na sala de aula pras amigas. Em São Paulo, ela estudou Moda, na Escola São Paulo e fez cursos no SENAC, visando a parte técnica de modelagem. Ah, ela também é Jornalista.

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Por dentro do processo como um todo…

Em São Paulo, Kakô passou por toda a cadeia produtiva do processo de criação. Desde o varejo, depois o atacado (Showroom), alta produção, atendimento das multimarcas, até a fábrica. Aprendizados práticos e importantes que a ajudaram muito com suas próprias marcas, a Kakô Couture e a Kakô Jewelry.

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Estágio, aprendizados e Alexandre Herchcovitch

Em 2003/04, estagiou na Cori e o Alexandre Herchcovich era o Diretor Criativo da marca. “Foi excelente, aprendi muito lá dentro.  Depois disso, eu voltei pra Campo Grande e resolvi montar minha marca, a Kakô Couture. EM 2005 lancei a marca com camisetas customizadas, ao mesmo tempo estudei modelagem com o alfaiate com quem trabalhava nos modelos das coleções. A segunda coleção teve desfile no Tozen, teve participação do Lau Neves, o Fabinho Maurício e o Ghva”, lembra.

Em 2009 lançou uma coleção com muito sucesso, com inspirações orientais, a Wabi Sabi. Depois dessa coleção, Kakô já estava numa pegada mais alta costura, trabalhar com materiais como seda pura e vestidos de festa.

 

“A vida noturna, a cena eletrônica tem, muito a ver com minha bagagem cultural, meu lifestyle”

 

Bebendo da fonte na Europa, inspirações renovadas e um novo projeto…

A estilista passou um mês em Paris estudando Gerenciamento de Marcas de Luxo e apresentou como trabalho final sua própria marca. “Passeei bastante essa época, aproveitei pra conhecer os interior da França, os castelos medievais, as igrejas góticas, aí voltei pra Campo Grande e decidi lançar uma coleção inspirada neste tema. Conversando com a Vanessa Higa, decidimos lançar uma coleção de jóias, chamada Kakô Jewelry, folhadas a ouro, prata e ródio negro. em 2013 trouxe a coleção pra SP e deixei as jóias pra vender na Ratier, quando retomei minha parceria com o Renato”.

 

Sobre vestir do moderno descolado da cena eletrônica à senhora elegante da sociedade…

“Eu tinha envolvimento forte com a cena eletrônica de Campo Grande e já tinha quem usasse minhas criações. Eu tinha uma marca, a Berlim, em parceria com o Cláudio (Nogueira), que era uma marca de camisetas estampadas. A gente fez muito sucesso, principalmente com os gays, os modernos, uma galera mais nova da cena eletrônica, a gente tinha esse público.

Já na Kakô Couture, como era mais alta costura, eu tinha mais aceitação com as pessoas mais velhas, mulheres de 40 a 60 anos. Com o tempo, elas começaram a pegar tanta confiança no meu trabalho, que elas começaram a pedir roupas sobre medida e foi um sucesso, deu muito certo.”

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Em 2014 retomou a parceria com Renato Ratier

Quando começou, a Ratier só produzia roupas masculinas, até que o empresário e DJ Popstar precisou de alguém para desenhar o feminino… “Desenhei o feminino por um tempo, mas depois o estilista do masculino precisou sair. Daí, por dois anos, desenhei o feminino, o masculino e coordenei toda a equipe do atelier costureiros, piloteiros, as modelistas e o cortador, essa era minha equipe.
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Meu processo é pesquisa, o Renato me dava o conceito da coleção, ele diz ” o tema é tal”, ele faz as viagens dele, pega todas as referências e em cima disso começava a desenvolver a criação. Produzia todos os desenhos, fazia o atendimento com os fornecedores pra captar os tecidos, matéria prima, tudo o que vai usar, depois de feito isso, anexava os modelos com os tecidos e chegando todo material começava todo o desenvolvimento.

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RATIER na São Paulo Fashion Week

A marca desfilou ( no primeiro semestre de 2017) a quarta coleção no São Paulo Fashion Week. “Eu sempre sonhei em desfilar no SPFW, que estilista não gostaria de ver sua coleção em uma passarela?

 


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Trabalhar com o Renato Ratier

O Renato sempre amou Moda e sempre foi muito vanguarda. Há 20 anos lançou a Sub Culture em CG, marcou uma cena! Ele é um showman, um cara que faz apresentações, shows, é intrínseco na personalidade dele apresentar um grande show. Ele é inquietante, sempre a frente, buscando o que ele vai produzir de novo.

Na Ratier ele fez a mesma coisa, ele trouxe uma realidade que estava iniciando no exterior, um movimento de moda na Europa, que é lançar peças mais alongadas, a coisa do preto. Era novidade, um movimento de transição do estilo masculino, manga mais curtas, assimétricas…

O homem que usa Ratier é incrível. Quando ele pega uma peça da Ratier, uma blusa, por exemplo, aí logo ele já quer trocar a calça, já quer trocar o sapato, ele saí com uma nova cara, uma nova identidade. O Renato fez foi uma quebra de paradigmas estéticos.

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Kakô Ferraz

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Projetos futuros

Fiquei noiva! Nunca havia pensado em me casar, sempre foquei na minha profissão, sempre tive a vontade de conquistar tudo o que queria… Quando conheci o Pedro (Lombardi), eu estava me preparando como mulher pra entrar nessa fase de ser mãe, fazer planos futuros. Ele é mais novo e falei de cara que eu tava na fase de casar, ter filho, não sabia se com ele fosse dar certo.

Ele conseguiu captar o meus anseios, ele me incentiva, quer me ver ir além, alcançar meus objetivos. O Pedro valoriza quem sou, do jeito que sou e fez isso aflorar. Além disso ele é muito companheiro, tanto pra ir numa balada, quanto pra ir ao cinema, quanto pra visitar nossa família, pra ficar em casa…

Eu vou mudar pra Santos, porque lá a gente vai ter uma qualidade de vida melhor. Santos está a uma hora de SP, posso continuar trabalhando aqui e a ideia é eu montar meu atelier lá e retomar os meus projetos pessoais. To cuidando do desenvolvimento de uma outra marca que chama ÂME, quer dizer alma em Frances é uma marca super contemporânea ao mesmo tempo clássica.

Há um mês morando em Santos, já montou seu ateliê onde presta consultoria de desenvolvimento de produto para outras marcas, além da ÂME e de pequenas marcas, o mais novo projeto está nascendo com a Cavalera para qual desenhará uma coleção exclusiva de peças com um estilo avant garde para ser lançada em breve. 

 

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